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quinta-feira, 27 de maio de 2010

CULTURA E EDUCAÇÃO (Por Mestre Afonso*)

*Afonso Marra Filho, o Mestre Affonso, é natural de Belo Horizonte. Músico, produtor, radialista, colunista, está imerso no mundo do samba há 50 anos. Como diretor de Bateria, é detentor de vinte notas dez e vários Tamborins de Ouro, maior premiação individual no Carnaval de Belo Horizonte. Há seis anos, é colaborador do Programa Acir Antão, como repórter do samba, na Rádio Itatiaia, todos os domingos. A partir de agora passa também a colaborar com esse blog. Toda sexta-feira, a COLUNA DO MESTRE AFFONSO oferece dicas de rodas de samba, conta histórias e causos e passa um pouco de sua experiência.

"Ouço sempre alguém dizer que somente através da educação nossas crianças e jovens terão oportunidades na vida. Acho esse discurso hipócrita, principalmente por saber que a maioria dos defensores dessa tese, jamais pisou nos becos e vielas da cidade. Essa maioria é formada por intelectuais vindos de famílias abastadas, é a turma dos que gostam de protestar, dar palpites, mas que não gosta de colocar a mão na massa.

Enchem a boca para falar de educação como se a educação no Brasil fosse a 8ª maravilha do mundo. O que temos são professores ganhando mal, em vários casos ensino de péssima qualidade, escolas caindo aos pedaços, enfim, antes de qualquer coisa, teríamos que educar a educação.

A não ser através da iniciativa privada jamais vimos projetos de grande monta em relação à educação. O governo até que tenta, mas são tantos os obstáculos, que até o governo vai mantendo a coisa em Banho Maria: um projetinho aqui, outro projetinho ali, mas nada que verdadeiramente atinja as necessidades do povo.

Na minha maneira de pensar, neste caos que estamos vivendo em Belo Horizonte (já temos até Skinhead, é mole?) três caminhos poderiam ser a verdadeira educação: a religiosidade, o esporte e a cultura. Isto porque estes são pilares que aglutinam comunidades, tornando mais fácil a aproximação e conseqüentemente a educação. A religiosidade é sem sombra de dúvidas um grande caminho, quem está perto de Deus está protegido. Antigamente, na minha geração, o jovem pegava seu material esportivo e através de uma disciplina rígida, aprendia o valor da vida. Hoje o esporte está restrito em seus espaços, e o que é pior, as classes menos favorecidas têm muita dificuldade de acesso a ele. No caso da cultura a coisa fica pior, bem pior. Ninguém gosta de bagunça: bares e carros com som altos, desrespeito à vizinhança, enfim, todos têm o direito de escolher a paz e o silêncio como forma de descanso. Mas também não podemos nos esquecer que a cultura oferece inúmeras oportunidades àqueles que por qualquer motivo não tiveram outras oportunidades. Os atuais administradores não têm culpa de Belo Horizonte não ter espaços para a cultura, eles receberam a cidade assim. Mas esses administradores deveriam pensar e projetar espaços para que uma enorme camada da sociedade tenha direito à diversão e às oportunidades profissionais que a mesma oferece. Simplesmente criar leis que proíbem a diversão é diminuir espaços e fomentar a marginalidade, que acaba sendo uma enorme saída para muitas crianças e jovens. Infelizmente esta é uma cruel realidade.

Na verdade, o que precisamos é rever conceitos, avaliar fatos e criar uma saída. Isto para que não sejamos condenados, como já está acontecendo, a sermos prisioneiros de um mundo marginal e violento. Não somos hipócritas a ponto de dizer que a cultura irá resolver todos os problemas. O que queremos dizer é que a cultura pode minimizar as dificuldades que estamos vivendo. Se cada um fizer a sua parte Belo Horizonte poderá voltar a ser a cidade das serenatas, os clubes poderão voltar a ser ponto de reunião dos nossos filhos e netos, enfim, poderemos fazer voltar a alegria que sempre fez parte do nosso povo. Talvez até possamos andar pelas ruas sem medos, como era feito no passado. Era lindo ouvir o hino nacional a cada início de aula, era maravilhoso tomar bênçãos dos mais velhos, era divino ver que a educação começava em nossas casas, passava pelos vizinhos e tinha sua continuidade nas salas de aulas. Belo Horizonte era a Cidade Vergel, nós éramos felizes e sabíamos!

Obrigado, meu Deus, pela honra e a glória de ter nascido sambista."

mestreaffonso@bol.com.br

Blog: http://mestreaffonsozip.net

2 comentários:

fã nordestina disse...

Gostei do artigo

Anônimo disse...

Éisto ai Mestre affonso.mostrar para esta sociedade as nossas verdaeira cultura, nossas raizes;
você disse tudo,a gente era feliz e sabia,uma vida simples mais rica em diciplina,educação,e mais amor no coração.

[Zambiapongo colofe]
Deus o abençoe.