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quinta-feira, 8 de abril de 2010

SAMBA DE UMA NOTA SÓ*(Por Mestre Afonso)

(coluna de Mestre Afonso, retirada do blog de Zu Moreira no Jornal o Tempo.)

O telefone toca, atendo, e do outro lado um sambista faz suas queixas. Conta-me que foi passado para trás em uma casa de samba. A dona do estabelecimento, que havia combinado repassar integralmente o dinheiro da portaria para o grupo, quando viu a casa cheia resolveu mudar o rumo da prosa, e ofereceu – pegar ou largar - apenas 50% da portaria para a rapaziada, segundo o que me relatou o sambista. Como já estou calejado e não ouvi o outro lado da conversa, ou seja, a dona da casa de samba, eu fiquei na minha. Não divulguei e nem dei opinião sobre o assunto.

Já vi este fato acontecer mil vezes, inclusive comigo quando eu era um jovem músico. Mas depois que aprendi um pouco da vida, entendi que o que protege o profissional é o contrato (bem feito) onde as partes são preservadas. Assim como conheço donos de casas aproveitadores, conheço também músicos irresponsáveis, gente que desonra e empobrece a classe.

A grande verdade é que aqui em Belo Horizonte, falando da maioria, os músicos corretos, ninguém tem segurança de nada. O amanhã é uma incógnita e o futuro a Deus pertence. E aqui não vou entrar naquela de acusar a OMB (Ordem dos Músicos do Brasil), porque penso que os dois lados pecam: Ordem e músicos. O que sei com certeza é que nessa briga entre o mar e o rochedo, quem paga a conta são os mariscos, os músicos. Tem gente que toca quatro horas para receber um cachê de dez reais, tem gente que sequer recebe um lanche ou jantar digno no fim do trabalho, tem gente que é vista nos pontos de ônibus às quatro da manhã, sem o dinheiro do leite para seus filhos.

A maioria dos músicos não gosta da política e dos políticos, mas como a vida é política, essa maioria de músicos fica fora de qualquer contexto: sem força, sem caminhos, sem amparo. Tenho visto músicos doentes, trabalhando com sacrifício sem saber o que vai acontecer amanhã. A solução seria a mudança de postura. Debates sérios, busca de ajuda de advogados e juristas, enfim, a classe musical deveria cair na realidade e buscar os meios que possam protegê-la de verdade. De nada adianta ficar reclamando se não temos norte algum. Músico é profissional e como tal tem que se portar em todos os momentos, principalmente lutando por melhorias na sua profissão, que também é, em muitos casos, a profissão de seus filhos e netos.

Voltando ao início do papo, como eu poderia ajudar ao músico que me fez suas queixas se ele nada tem nas mãos que possa comprovar que foi enganado. Como defender ou acusar alguém sem proteção legal. Isso eu não faço. Toda história tem dois lados e só ouvi um. Embora eu tenha muito apreço pelos componentes do grupo que se sentiu traído ou espoliado, não posso cometer o crime de apoiá-los sem que estejam devidamente documentados.

É como eu disse no princípio, enquanto não nos organizarmos seremos o “samba de uma nota só”. Uma nota triste que prejudica nossas vidas e as vidas daqueles que dependem de nós. Esta nota somente beneficia alguns empresários e contratantes que fazem do samba apenas uma forma de ganhar dinheiro, sem ter nenhum compromisso com as causas do samba e dos sambistas. Em alguns casos os sambistas, freqüentadores de casas de samba, são tratados de qualquer maneira: ambientes sem nenhuma segurança, cerveja cara e quente, banheiros que parecem pocilgas, e muito mais... Mas aí a culpa maior é de quem freqüenta esses lugares, aceitando as migalhas oferecidas. Não adianta nada apenas reclamar, temos que estar documentados para que possamos cobrar e exigir.

Obrigado, meu Deus, pela honra e a glória de ter nascido sambista.

mestreaffonso@bol.com.br

Blog: http://mestreaffonsozip.net

Um comentário:

Fã nordestina disse...

Um texto conciso e abrangente .Fala de tudo que o objeto requer. A idéia da luta da classe de músicos(que é uma luta política , não partidaria, é claro!)´, na minha opinião é realmente a saida. Aliás, para todos explorados, só a organização deles próprios pode conduzi-los a garantir seus direitos na sociedade.