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segunda-feira, 26 de abril de 2010

NA CADÊNCIA DO SAMBA* (Por Mestre Afonso)

Diz com muita propriedade o meu amigo e irmão Marilton Borges, que existem apenas dois tipos de música, música boa e música ruim. E aqui temos que lembrar que esta máxima serve para todo gênero musical. Partindo daí vou logo para a minha praia que é o samba. Como bem disse Vinícius de Moraes: “Fazer samba não é contar piada, quem faz samba assim não é de nada, o samba é uma forma de oração”. Falou e disse Seu Vinícius. Pena que muita gente faz samba ou faz do samba uma forma de irritar aqueles que verdadeiramente lutam pela poesia, pela harmonia, pela causa e pelo engrandecimento. Dos compositores aos “comprositores”, muita água suja passa debaixo da ponte da nossa arte maior. E aqui não entro nessa besteira de falar em samba de raiz, porque tivemos muita porcaria no passado, assim como no presente, e com certeza no futuro.
Sei que muita gente vai ficar magoada, mas não é essa a minha intenção. Quero apenas apresentar o belo, jamais me esquecendo que várias outras belezas existem pela cidade de Belo Horizonte. Hoje quero falar do grupo “Na Cadência do Samba”, ou melhor, quero falar daquela fantástica roda de samba que acontece todos os domingos no Terreiro de Jorge, São Jorge, terreiro do Serginho Divina luz, Rua Maria Francisca, 375 – Bairro São Marcos – 17hs, aos domingos.
Em primeiro lugar lá acontece o respeito a todos os artistas. Forma-se uma roda tendo como base o Grupo Na Cadência do Samba, devidamente energizada por Marina Gomes e Arthur Carvalho, derrama-se pelas cordas e couros sentimentos, saudades, vontades, sonhos sonhados, e sonhos vividos... A pureza que emana do propósito do encontro nos enche de felicidade e orgulho. Felicidade em saber que “podam-se os galhos, colhem-se as frutas e outra vez se semeia, e no fim desse labor, surge outro compositor com sangue novo nas veias”, como falou Cartola. O orgulho é de ver gente de várias classes sociais e idades, pisando com a força da resistência aquele humilde chão de terra batida. Eles fazem do samba sua bandeira: corpos suados, rostos vibrantes, emoção à flor das peles. O carinho e respeito com que todos me tratam não podem ser esquecidos. Pedidos de benção, beijos em minhas mãos, amor saindo pelos poros e pingando na alma, minha alma.
Quando sou chamado para cantar, meu cantar é interior. É o mosaico de mim mesmo, minhas alegrias e tristezas vividas: amigos que hoje moram em outro plano, sonhos que se tornaram ou não realidade, entendimento que o tempo tingiu de branco os meus poucos cabelos, mas que a alma continua jovem pela força daquela gente. Sei que meu tempo está se esgotando, que um dia serei apenas saudade, mas sei também que ajudei a plantar as sementes do samba e do bem. Ser chato e exigente às vezes faz parte da construção. Mas graças a Deus jamais carreguei a bandeira da falsidade, da omissão ou da desonestidade, falo o que penso. Amém!
O samba termina às 21 horas, respeitando a boa vizinhança. Tomo mais uma, saio devagar, vou até o carro sorvendo o gosto daqueles incríveis momentos. Muitas vezes na solidão do caminho, minha mente se volta para o Criador. Deus me conduz pelas mãos, lágrimas de alegria escorrem pelo meu rosto. A vida passa pela minha mente, humildemente sinto o gosto do dever cumprido. Lembro-me de beijos no rosto dados pelo Jorginho Pintor e pelo “Primo”. Lembro-me da minha roda de amigos, Bartô, Maristela, Carlos e Alzira, lembro-me de tantos abraços e beijos recebidos, sinto-os como flores colhidas no quintal do amor.
Muito obrigado a todos!
Obrigado, meu Deus, pela honra e a glória de ter nascido sambista.
mestreaffonso@bol.com.br Blog: http://mestreaffonsozip.net/
*Afonso Marra Filho, o Mestre Affonso, é natural de Belo Horizonte. Músico, produtor, radialista, colunista, está imerso no mundo do samba há 50 anos. Como diretor de Bateria, é detentor de vinte notas dez e vários Tamborins de Ouro, maior premiação individual no Carnaval de Belo Horizonte. Há seis anos, é colaborador do Programa Acir Antão, como repórter do samba, na Rádio Itatiaia, todos os domingos. A partir de agora passa também a colaborar com esse blog. Toda sexta-feira, a COLUNA DO MESTRE AFFONSO oferece dicas de rodas de samba, conta histórias e causos e passa um pouco de sua experiência.

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