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quarta-feira, 14 de abril de 2010

CURRAL DO SAMBA* (Por Mestre Afonso)

Tem gente que está chegando agora e não conhece o passado. Infelizmente Belo Horizonte, principalmente na área do samba, não preserva sua história, não valoriza as sementes que ajudaram a construir o mosaico do que vivemos hoje. Eu poderia citar dezenas de nomes importantíssimos da nossa história e garanto que a memória ainda me trairia. Nosso samba sempre foi muito rico.

O ano era 1979, os grupos de samba, apesar da discriminação que sempre existiu, invadiam a cidade com uma qualidade musical respeitada em todo o país. Eram muitos os grupos de samba, mas os espaços (casas de samba) eram limitados. Para se ter uma idéia do que estou falando, eram poucos os espaços freqüentados por pessoas de nível social mais elevado. O bar do grande Lagoinha que ficava na Álvares Cabral e o bar do Déco, na Pampulha. Muralha, no Gutierrez, e Primeira Bateria, na Avenida Barbacena, também eram casas muito prestigiadas. Havia mais umas poucas, das quais infelizmente a memória não me ajuda a lembrar os nomes, mas eram poucas. No mais, ou os grupos tocavam nos clubes ou então naquelas rodas de samba que fazíamos pelas esquinas.

Surge um novo espaço, no que na época era considerado muito distante, longe mesmo, lá no Bairro São Paulo, antes chamado de Matadouro. Isto porque lá anteriormente existia o Curral do Matadouro Municipal. O curral fechou e no mesmo local surgiu o Curral Bar. O dono, Reinaldo Avelar da Silva, o Reinaldo Cabecinha, filho de um dos primeiros moradores do lugar, recebia no bar os amigos, pendurava as contas dos fregueses, quebrou quatro vezes. Um dia, num papo entre o Reinaldo e o Barbanache do Pandeiro, surgiu a idéia de um pagode aos sábados. A coisa deu certo. Do sábado passaram para o domingo e o couro comeu solto. Era um chão de terra batida que foi coberto por uma velha lona de circo. Quando chovia tínhamos que colocar os pés sobre as cadeiras para não molhar os sapatos. O ambiente era simples, mas o samba era da melhor qualidade. Chegamos a fazer rodas com mais de 20 músicos onde todos cantavam e todos os instrumentos eram ouvidos com total educação musical. Aos domingos todos os sambistas profissionais que estivessem de folga se sentiam na obrigação de dar uma chegada no terreiro.

A coisa foi crescendo, a adesão dos sambistas da cidade e de outros estados foi total, começaram a surgir os artistas. Por lá passaram o Neguinho da Beija-Flor, Jovelina Pérola Negra, Bezerra da Silva, Arlindo Cruz e tantos outros grandes nomes do samba. Isto naquele tempo em que o sambista podia ver seus ídolos de pertinho. Ingresso barato, cerveja gelada, tira-gosto da melhor qualidade, mulheres bonitas, o ambiente era tudo que queríamos, era uma terra de bambas.

Hoje o ambiente é completamente diferente, mas o samba rola em forma de projetos feitos pelo Reinaldo e pelos sambistas. Existe um espaço para shows, mas o forte é a gravação de CD,s para músicos de menor poder aquisitivo. Mas esta já é outra história que pretendemos transformar em livro (com muitas fotos) para eternizar, na medida do possível e no alcance da memória, todos aqueles que pisaram aquele chão abençoado pelos nossos antepassados.

O “Curral do Samba” é imortal nas mentes dos sambistas da antiga e hoje, com outras diretrizes, é um meio de oportunidades para vários gêneros musicais e uma possibilidade de futuro para os que estão chegando, compositores e intérpretes.

Obrigado, meu Deus, pela honra e a glória de ter nascido sambista.

mestreaffonso@bol.com.br

++> Eu tive o prazer de conhecer nos áureos tempos.

4 comentários:

Anônimo disse...

Arthur, agora formou! O SAMBASIM voltou oom um montão de informação e coisa boa pra se ler....
Bacana e muito tempo de vida para o SAMBASIM!
Salve o meu amigo Arthur Carvalho!
Marcos Marçal

blogdorei disse...

Tiva o prazer de desfrutar dakela casa de samba, na mais pura concepção da palavra........

Anônimo disse...

Olá!!! Tenho orgulho em dizer já fui no Curral do Samba!!! Para mim, o melhor lugar de curtir samba de raiz. Ahhh!!! SAUDADE!!!

maria das dores rodrigues Jeber disse...

Eu conheci o curral do Samba quando começou. Cancei de ir ver o Magnatas. era a minha casa nos finais de semana. vou voltar lá. Tenho muitas historias com esse lugar.