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sexta-feira, 6 de novembro de 2009

DIGNIDADE, CONSCIÊNCIA, PROFISSIONALISMO*

COLUNA DE MESTRE AFONSO, *Retirado do blog de Zu Moreira (O Tempo)

Dudu Nicácio, Miguel dos Anjos, Mestre Jonas

Enquanto uns falam, reclamam e choram pelas esquinas, outros fazem acontecer. Quando não me prendo ao conceito (como é colocado) de raízes no samba, alguns me contestam. A maioria se esquece que as raízes se renovam, e que como disse Cartola: “no fim desse labor surge um novo compositor, com sangue novo nas veias”.

No show de encerramento do Projeto Samba do Compositor, no Palácio das Artes, terça-feira passada, Dudu Nicácio, Miguel dos Anjos e Mestre Jonas nos deram inúmeras provas da renovação das raízes, nos mostraram que com respeito, dignidade e amor, tudo pode acontecer.

Embora eu tenha percebido algumas falhas técnicas, como sempre acontece em qualquer show ao vivo, no contexto geral este foi um dos melhores trabalhos que já tive a oportunidade de ver e ouvir em Minas Gerais.

Levar o nosso povo, o verdadeiro povo do samba, para o Palácio das Artes a preços populares, foi um ato de coragem, alguns diriam que foi uma verdadeira ousadia. Cantar o nosso samba, com o auxilio da platéia que praticamente só os ouve pelos bares da cidade, foi uma demonstração de que somos guerreiros e acreditamos nas possibilidades. Encher (lotar mesmo) o Palácio das Artes de sambistas que cantaram, dançaram, e se confraternizaram, era algo inimaginável até a bem pouco tempo. O morro desceu para a cidade, as senzalas e os guetos não existiram, os beco e vielas se encontraram: Belo Horizonte se tornou única, como deveria ser sempre.

O grupo musical que fez o acompanhamento do show também brilhou. No rosto de cada componente a vontade de acertar, a dedicação, o amor ao samba e aos sambistas. Foram muitos ensaios, muita dedicação, muito respeito com quem viria nos fazer viver um momento de glória.

Parabéns a todos que investiram no projeto, parabéns a todos que acreditaram que Belo Horizonte é fonte perene de arte e cultura, parabéns à cidade (seus administradores) que mesmo enfrentando dificuldades e discriminações, estão abrindo as portas para todas as manifestações culturais em todos os cantos e recantos da cidade. Isso é civismo, isso é consciência, isso é respeito.

E lá vem ela.


Andar cansado pelas lidas da vida, mas com a altivez da rainha que sempre foi e será. Amparada por mãos carinhosas, mas transpirando domínio naquilo que sempre soube fazer: compor e cantar, viver com dignidade e respeito aos semelhantes.

Uma poltrona no palco, ela sentou-se vagarosamente, e quando abriu a garganta, lágrimas de amor vieram aos nossos olhos, estávamos diante de uma deusa. E quando sua voz invadiu o salão aí nos sentimos no Éden, sentimos que estávamos diante de todo um passado de lutas e abnegação a uma causa que também é nossa, era DONA IVONE LARA, era o samba em pessoa.

Dona Ivone Lara - Yvonne Lara da Costa, mais conhecida como Dona Ivone Lara, nascida no Rio de Janeiro, em 13 de abril de 1922. Formada em Enfermagem, com especialização em Terapia Ocupacional, foi assistente social até se aposentar em 1977. Nesta função trabalhou em hospitais psiquátricos. Com a morte da mãe aos três anos de idade, e do pai aos doze, foi criada pelos tios e com eles aprendeu a tocar cavaquinho e a ouvir samba, ao lado do primo Mestre Fuleiro; teve aulas de canto com Lucília Villa-Lobos e recebeu elogios do marido desta, o maestro Villa- Lobos. Casou-se aos 25 anos de idade com Oscar Costa, filho de Alfredo Costa, presidente da escola de samba Prazer da Serrinha, onde conheceu alguns compositores que viriam a ser seus parceiros em algumas composições, como Mano Décio da Viola e Silas de Oliveira. Compôs o samba Nasci para sofrer, que se tornou o hino da escola. Com a fundação do Império Serrano, em 1947, passou a desfilar na ala das baianas. Compôs o samba Não me perguntes, mas a consagração veio em 1965, com Os cinco bailes da história do Rio quando tornou-se a primeira mulher a fazer parte da ala de compositores de escola de samba.

Aposentada em 1977, passou a dedicar-se exclusivamente à carreira artística. Entre os intérpretes que gravaram suas composições destacam-se Clara Nunes, Roberto Ribeiro, Maria Bethânia, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Pauinho da Viola, Beth Carvalho, entre outros e outras grandes personalidades da MPB.

Benção, Dona Ivone Lara.

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