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segunda-feira, 19 de outubro de 2009

GERVÁSIO HORTA (Por Mestre Afonso)

(Retirado do blog de Zu Moreira, no jornal O Tempo)
"Antes de 1954 eu morava em Teófilo Otoni, uma cidade pequena, mas que tinha um super carnaval. Naquela época eu ouvia muito rádio, pois na cidade não tinha telefone e essa era a única ligação forte de comunicação. Fui ficando apaixonado pela rádio. Quando cheguei em Belo Horizonte tinha acabado de acontecer a morte de Francisco Alves, um fato marcante e verdadeira comoção nacional. As rádios só tocavam musicas de Francisco Alves.

Eu gostava muito de freqüentar a Rádio Inconfidência, a Rádio Mineira e a Guarani, que pertenciam aos Diários Associados. Foi lá que fiquei conhecendo a turma de Rômulo Paes. Pouco depois gravei, em parceria com o Rômulo, a primeira música em Homenagem a cidade, ”Rua da Bahia”. Gravamos essa musica em SP e no final da gravação fomos ao Ponto Chic.

No lado da nossa mesa estava sentado um dos maiores compositor que conheço, Adoniran Barbosa. Eu e Rômulo começamos a cantar “Rua da Bahia” e Adoniran Barbosa elogiou: Que coisa fantástica! Vocês cantando a sua cidade! Ele ainda completou dizendo que toda música que pode coloca São Paulo. E coloca mesmo, “Moro em Jaçanã; Se eu perder esse trem que sai agora às onze horas; Só amanhã de manhã...”

A partir daquele dia coloquei Belo Horizonte na minha rotina de músicas e acabei pegando a marca de Menestrel da cidade. Já cantei para o Barro Preto, para Rua da Bahia, Manhãs de Belo Horizonte, Praça Sete, Rua Goiás, diversas escolas de samba e Adeus Lagoinha."

NR: Para falar de Gervásio Horta mil matérias não bastariam diante da sua grandiosidade. Conheci a fera no Bar do Déco, lá para as bandas da Pampulha, quando aos domingos o samba (ainda muito discriminado) rolava antes e depois do futebol no Mineirão. Boscão Batera, Vicente Careca, Adair, Banzé e eu segurando o surdo, fazíamos a alegria da rapaziada e da moçada bonita. Gervásio, sempre de chapéu, cantava suas músicas e nos encantava com sua presença marcante. Depois vieram as escolas de samba, onde sua atuação foi fantástica. Nossa, é muita história pra contar...

Há três meses o Gervásio me ligou e disse para eu comparecer a um estúdio. Como já conheço bem a fera, fui preparado para alguma surpresa. Lá chegando encontrei o Serginho Beagá com uma letra na mão e um CD na outra mão, era uma música do Gervásio para eu gravar. Levei o material para estudar em casa e quando comecei a ouvir o samba senti que era uma homenagem do Gervásio, feita para mim.

Chorei muito. Chorei porque na letra da música pude sentir todo o respeito e carinho que este maravilhoso ser humano tem pela música e por mim. “Luz do Povo” é a minha cara e só uma mente privilegiada como a do Gervásio poderia captar todos os meus sentimentos em relação à vida e ao samba.

O CD ficou muito bom sob a direção musical do Serginho Beagá. Mais que um CD, “É isso aí Belo Horizonte” é um registro de vozes do samba importantes da cidade, que talvez, sem as mãos do Gervásio, jamais tivessem registro. O CD pode ser encontrado no “Café Nice”, na Praça Sete em Belo Horizonte.

Axé, Gervásio Horta.

Obrigado, meu Deus, pela honra e a glória de ter nascido sambista.
*Afonso Marra Filho, o Mestre Affonso, é natural de Belo Horizonte. Músico, produtor, radialista, colunista, está imerso no mundo do samba há 50 anos. Como diretor de Bateria, é detentor de dezoito notas dez e vários Tamborins de Ouro, maior premiação individual no Carnaval de Belo Horizonte. Atualmente, é colaborador do Programa Acir Antão, como repórter do samba, na Rádio Itatiaia, todos os domingos. A partir de agora passa também a colaborar com esse blog. Toda sexta-feira, a COLUNA DO MESTRE AFFONSO oferece dicas de rodas de samba, conta histórias e causos e passa um pouco de sua experiência.

Um comentário:

fã nordestina disse...

o MESTRE AFFONSO não sabe o carinho que ele desperta na sua fã nordestina