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terça-feira, 23 de junho de 2009

Aqui vai uma boa dica, meio atrasada para alguns, mas confesso que eu soube agora( o livro é de 2005)


Para aqueles que querem conhecer um pouco mais desse gênero musical que contagia cada vez mais e mais pessoas.

"Ao contrário do rock (...), o bom samba sempre primou pela riqueza melódica. E quanto mais ele usou a instrumentação básica do choro, violões de seis e sete cordas apoiados por cavaquinho, mais ele ganhou em expressividade harmônica. E esse foi o diferencial do que se resolveu chamar de ‘samba de raiz’."
(LOPES, 2005, p.10)

É assim, com o tom que o consagrou um dos mais tradicionais pesquisadores e compositores de samba no Brasil, que Nei Lopes inicia Partido-alto: samba de bamba (Rio de Janeiro: Pallas, 2005). Mais de uma década após o lançamento de O negro no Rio de Janeiro e sua tradição musical, o autor retorna à pesquisa sobre esta forma de se fazer samba.
Segundo Lopes, é no "samba de raiz" — expressão utilizada para identificar o samba que não se encaixa no perfil do "pagode de gravadoras" — que o partido-alto se destaca. Mas o que é partido-alto, afinal? É uma forma de tocar? Ou um estilo de cantar? Para chegar a uma conclusão teórica sobre quais são as características do partido-alto, Lopes se utiliza de estudos sobre o samba, revendo a história do país, tendo como foco o papel do negro ao longo desta trajetória.
O início de sua pesquisa tem como base estudos sobre como a cultura de Angola (origem de grande parte dos escravos que atuaram no Brasil) influenciou a nossa música de diferentes formas. Após esta breve ambientação histórica, Lopes mostra como o surgimento do samba está relacionado ao desenvolvimento urbano do Rio de Janeiro.
Porém, o que poderia ser só mais um trabalho sobre o status do Rio de Janeiro como berço do samba se transforma, então, em uma visão diferenciada sobre a participação da tradição de outras regiões na construção deste gênero musical. Lopes volta sua atenção ao cotidiano dos redutos negros surgidos na cidade a partir do século XIX (zona portuária, morros e subúrbios) e percebe que neles estão alocados não só indivíduos do sul-fluminense, mas também da região nordeste (principalmente do estado da Bahia) e de Minas Gerais.
Desta forma, Lopes pôde identificar similaridades entre as estruturas do samba de partido-alto, do repente nordestino e da cantoria dos calangos mineiros: todas têm como ponto forte a improvisação, feita em forma de desafio entre seus cantadores. E assim, o autor chega a sua própria definição do que é o partido-alto:
No passado, espécie de samba instrumental e ocasionalmente vocal (feito para dançar e cantar), constante de uma parte solada, chamada ‘chula’ (que dava a ele também o nome de samba-raiado ou chula-raiada), e de um refrão (que o diferenciava do samba corrido). Modernamente, espécie de samba cantada em forma de desafio por dois ou mais contendores e que se compõe de uma parte coral (refrão ou "primeira") e uma parte solada com versos improvisados ou repertório tradicional, os quais podem ou não se referir ao assunto do refrão. Sob essa rubrica se incluem, hoje, várias formas de sambas rurais, as antigas chulas, os antigos sambas corridos (os quais se acrescenta o solo), os refrões de pernada (batucada ou samba duro), bem como os chamados "partidos cortados", em que a parte solada é uma quadra e o refrão intercalado (raiado) entre cada verso dela. (LOPES, 2005, p. XXXX)
Após construir esta conceituação, Lopes se dedica, em um dos capítulos finais de seu livro, à apresentação da atual situação do partido-alto no Brasil. Sem abrir mão de seu olhar crítico em relação à indústria do entretenimento, o autor informa que, mesmo com o domínio globalizado da indústria fonográfica, há quem consiga manter a tradição de compor sambas no improviso. Embora tenha perdido espaço para o pagode eletrônico e pop das gravadoras durante os anos 90, o partido-alto volta à tona nesta década, impulsionado pelo sucesso de artistas como Zeca Pagodinho e Dudu Nobre.
Apesar de ter como objetivo principal a construção da definição do que é o partido-alto, o trabalho de Nei Lopes tem outros destaques além de seu legado teórico. A revelação de curiosidades do mundo do samba (como a implicância de Cartola e de Silas de Oliveira em relação ao partido-alto, por exemplo) torna a leitura mais descontraída, tirando um pouco do peso de seu embasamento teórico. Já o tom didático utilizado por Lopes (que inclui trechos de canções como exemplos dos estilos de cantoria que influenciaram o partido-alto) torna Partido-alto: samba de bamba um guia sobre a história do samba, de fácil compreensão tanto para iniciantes quanto iniciados no mundo do samba. Uma referência na literatura sobre o tema.
Referência bibliográfica
LOPES, Nei. Partido-alto: samba de bamba. Rio de Janeiro: Pallas, 2005.
retirado do artigo "as novas tradições do samba" de :

Luiza Real de Andrade Amaral
Aluna do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Graduada em Comunicação (Relações Públicas) pela UERJ. Sua pesquisa versa sobre as representações de samba na mídia. É bolsista da Capes.

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